Suassuna subiu ao alto, para junto da Compadecida.


Escrever sobre Ariano Suassuna não é algo fácil, principalmente para mim que apenas ataco de escritor vez ou outra sem ter uma formação específica na área, mas eu não podia perder a oportunidade de deixar minha lembrança sobre as obras de Ariano e a pequena parcela que representou na minha vida.
O lápis desse sábio senhor que criou vários personagens incônicos com certeza foi um lápis feliz por ter escrito tais textos. Criar um romance complexo e original com a cara do sertão brasileiro com certeza não deve ter sido tarefa fácil e ainda mais que caísse no gosto do público a ponto de se tornar um filme sucesso de bilheterias, filme tão conhecido e difundido na cultura popular brasileira que vez ou outra solta-se o bordão: “Não sei, só sei que foi assim”; e todos riem porque entenderam a referência.
Lembro-me do primeiro dia de aula do ensino médio quando durante uma dinâmica um colega se referiu a mim como João Grilo, o apelido surgido a partir de uma suposta confusão de nomes (João Guilherme e João Grilo), soou-me como um incomodo a priori e quanto mais me chamavam por aquele apelido mais eu me incomodava, contudo com o passar do tempo o apelido se contraiu, virou apenas Grilo e assim eu tenho sido chamado desde então. Gostando ou não eu me tornei "O Grilo", as vezes variando, uns me chamam de Griloso, outros de Grilão, algumas pessoas mais próximas de Grilinho, mas todos derivados do apelido inicial “João Grilo”.
Agora ser chamado de João Grilo não me incomodaria tanto, lembrando que o célebre personagem retratado no romance “O Alto Da Compadecida” é um perfeito exemplar de matuto herói, aquele que faz tudo com jeitinho para conseguir o que quer, capaz de enganar do chefe do cangaço, passando pelo coronel e chegando até ao diabo, João Grilo foi capaz de proezas Homéricas em sua odisseia em busca de um cantinho para viver em paz.
Ariano Suassuna levou o nordeste para o gosto do público, fez com que o povo não apreciasse o nordeste só pelas boemias baianas retratadas por Jorge Amado, e nem pela forma tão triste como Graciliano descriava nossos sertões, muito menos um lugar fora da lei como Fraklin Távora retratou em “O Cabeleira”, Ariano mostrou que o nordeste não era um lugar fácil, mas mostrou que o povo daqui sabe se virar com garra.
É uma grande perda para a literatura brasileira, mas é um grande ganho para os céus, que poderá se deleitar com seus contos. 
Vai em paz mestre e obrigado pelo apelido! 

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